ENCOSTAR O JOGADOR. QUEM PERDE MAIS?
Jogador com contrato que, por um motivo ou outro, é afastado do elenco, não traz benefício para ninguém. Não é bom para o jogador, porque perde ritmo de jogo. Não é bom para o clube, porque vê desvalorizar um ativo financeiro. E não é bom nem para a praga do empresário do jogador, que depende do talento alheio para levar o leite das crianças para a sua casa. No calcio temos os casos concretos de Goran Pandev e Cristian Ledesma. Ambos tem contrato com a Lazio. Ambos eram titulares. Pandev é o melhor jogador da fraca seleção da Macedônia e com vaga no ataque de muito time de ponta. Alto, inteligente e com facilidade para jogar em todas as posições do ataque, achou que poderia escolher o time que quisesse no fim da última temporada. Ledesma está na Lazio desde 2006 e sempre foi muito útil ao time. Não precisa muito para se destacar em um time com um miolo de zaga medíocre e volantes fracos, e o argentino sempre cumpriu com efeiciência o seu papel. Estes dois, destaques da última temporada da biancocelesti, resolveram ir atrás de novos ares, o que é legítimo, e deixaram isso bem claro para o clube. Acontece que, preocupados apenas com o próprio bolso, esqueceram de avisar aos pretensos compradores que existia uma tal de multa rescisória. A Lazio, sabendo que não podia contar com os dois na pré temporada, foi se ajeitando com o resto do elenco. E, quanto aos aventureiros, o que se sabe é que não apareceu ninguém disposto a ressarcir a Lazio o investimento feito nos atletas.
O erro dos jogadores é achar que vão levar o clube na conversa, com qualquer papinho de que "meu futuro é em outro lugar" ou que "o meu ciclo já se encerou". O empresário que fez um contrato longo com o atual clube e não previu nenhum bônus por títulos ou alguma outra forma de valorização do atleta, é o mesmo que coloca pressão para que o seu jogador saia, ainda que com contrato em curso. Contrato longo traz mais estabilidade e menos risco para o atleta. Para o clube, o risco é maior. Se o atleta não der certo, tem que pagar até o fim. Neste caso concreto, estes dois jogadores estão fora de um time que começou o campeonato com 100% de aproveitamento, além de não terem sido inscritos na Liga da Europa. O erro dos clubes é conduzir estes casos à ferro e fogo. Às vezes para mostrar força na queda de braço com o empresário que quer levar sua jóia para outro clube. Às vezes somente para fazer um bonito com a torcida, que cobrará a diretoria se o ídolo sair sem que sobre dinheiro para investir em outro jogador. E enquanto o jogador fica afastado o clube não ganha de lado nenhum. Perde por não contar com um jogador que daria mais qualidade ao elenco e, também, perde por não negociar por menos que o estabelecido em contrato. O erro dos empresários é a fixação pela transferência. Tirando as poucas exceções, o normal é que o jogador de hoje seja um cigano, afinal, é na transferência que se consegue uma bela comissão. Quando é contratado, o jogador houve de seu empresário que deve demonstrar amor pelo clube e ganhar a torcida. O coitado chega, beija a camisa e diz que está realizando um sonho. Depois de três boas atuações, anuncia na imprensa que, por ele, encerraria a carreira naquele clube. É aí que a vaca vai pro brejo.... O jogador ganha fama, se valoriza, o telefone do empresário toca e o bolso começa a falar mais alto. Pré-contratos são assinados e o último a saber é o clube que paga o salário do jogador. No fim, todos perdem. Contrato é algo que tem que ser cumprido, salvo se outro clube se comprometer a depositar a multa rescisória. Fora isso, é encrenca na certa. E vocês, o que acham? Alguém tem razão quando um jogador é encostado por querer sair no meio do contrato? E quem perde mais com isso? Encham o pote!
Escrito por Felipe Rolim às 00h30
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SPALLETTI, RANIERI, FERRARA E LEONARDO
Luciano Spalletti não é mais o técnico da Roma. Decisão acertada e tardia. Deveria ter sido mandado embora no fim da temporada quando, nitidamente, cavava uma transferência qualquer e, sobre a Roma, dizia sempre que estava à disposição de Rosella Sensi, presidente do clube. Tecla SAP do Spalletti: "Se alguém me quiser, estou indo. Se ninguém quiser, vou ficando por aqui sem muito entusiasmo". Spalletti começou a temporada cercado por desconfiança. Não tinha Doni, Julio Baptista, Vucinic, Brighi e Juan. Além destes, perdeu de vez Pannucci e Aquilani. O começo da temporada foi padrasto. Uma derrota fora de casa para o bom Genoa, que seria um resultado normal, mas que foi potencializada pelo vareio de bola, dentro do Olímpico de Roma, que o time da capital tomou de Diego, Cannavaro e Cia. O requinte de crueldade para o torcedor romanista, que aplaudiu Diego dentro de sua casa, foi ver a vizinha Lazio na ponta da tabela. Não tinha mais como manter Spalletti, que sai em um momento em que não há vagas disponíveis nos melhores times da Itália. Bem feito, devia ter ido embora no ano passado. Possivelmente conseguiria um clube e a Roma faria a pré temporada com outro técnico. Claudio Ranieri é o novo técnico da Roma. Chegou cheio de graça dizendo que é a realização de um sonho. Não lembro de suas bravatas em suas primeiras declarações no comando de Chelsea e Juve, mas, como é um sujeito contido, vou dar crédito ao Ranieri. Mesmo que ele não seja assim, terá que aparentar ser, pois a torcida romanista é calorosa e gosta que façam odes ao clube. Sobre o esquema de jogo, Spalletti deixa a zaga mais exposta, nunca corrigindo o posicionamento de seus volantes - De Rossi e Pizarro - que, por serem mais habilidosos e criativos que os meias - Taddei e Perrotta - invariavelmente largavam a zaga exposta. Ranieri, que não nasceu ontem, deverá mexer neste posicionamento e manter alguém mais fixo na frente da zaga. Menez deve estar com os dias contados no time titular. Se lembrarmos da Juve da última temporada, veremos que Totti jogará com um atacante forte aos seu lado: Vucinic ou Julio Bapstista. Não dá para cobrar milagres, mas o torcedor romanista não vai querer o fim de mais uma temporada sem vaga na Liga dos Campeões. Ciro Ferrara que começou como interino, vai bem e obrigado. A Juve encanta nas duas primeiras rodadas e conseguiu a façanha de ser aplaudida dentro do Olímpico de Roma. Na próxima rodada, mais um teste de fogo, dentro do mesmo Olímpico de Roma, que será o confronto contra a Lazio, outra líder do campeonato com 100% de aproveitamento. Ferrara é o exemplo de começo de carreira bem sucedida. Como jogador, já era líder dentro de campo nos únicos times pelos quais jogou: Napoli e Juve. Fora de campo, começou como auxiliar técnico da Azzurra, na campanha vitoriosa da Copa de 2006. Com a demissão de Claudio Ranieri da Juve começou de forma interina, sem pressão, e foi ficando. Viu a chegada de Diego, Cannavaro e Felipe Melo e a saída de Nedved. Mudou o jeito da Juve jogar, com ou sem Diego em campo. Vimos isto nos minutos finais contra a Roma. Sem Diego, Camoranesi Ficou com a responsabilidade e a liberdade que cabiam ao brasileiro. Por enquanto, sua nota é 10. Leonardo que abra o seu olho. Berlusconi, dono do Milan, acbaou de dizer que o brasileiro tem sua confiança, o que nós sabemos que é o primeiro passo para a contratação de um novo técnico e a volta do Leo para seu antigo cargo de diretor para "preservá-lo". O episódio com Gattuso foi emblemático. Gattuso está treinando a parte, mas não foi multado. Ou seja, ou o Leonardo não teve peito ou, se teve, Berlusconi colocou panos quentes, como bom (?) político que é. Mesmo sem Gattuso, Leonardo manterá a mesma estrutura no meio de campo. Segura um pouco mais o Flamini junto ao Pirlo e Ambrosini fica como terceiro homem de meio, mais próximo de Ronaldinho Gaúcho. Enquanto isso, Seedorf continua, no banco, resmungando. Enquanto isso, o Milan continua apostando em Ronaldinho Gaúcho, o que é temerário. E, mais temerário ainda, é que a outrora boa defesa - ainda que velha - treinada pelo ex-técnico Ancelotti, não resistiu ao primeiro grande teste, sendo ridicularizada pelo ataque da Inter de Milão. O futuro de Leonardo parece mais negro do que rubro-negro. E vocês, que acham? Quem destes terá uma vida mais mansa na temporada? Encham o pote!
Escrito por Felipe Rolim às 00h10
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