O NAPOLI QUE NÃO EMBALA
7 pontos em 7 jogos. Apenas 2 vitórias, ambas em casa e contra adversários de pouco peso: Livorno e Siena. Donadoni começa a dar sinais de desgaste no comando do time e o Presidente De Laurentis anuncia que nos próximos 15 dias podemos ter mudanças. Sim, 15 dias, pois há uma data FIFA no próximo fim de semana e, diferente daqui, na Itália o campeonato pára. E porque o dono do Napoli dará este 15 dias para que Donadoni treine, ao invés de aproveitá-los para anunciar um novo técnico? Porque lá, diferente daqui, cada técnico só pode treinar um time por temporada na Lega Calcio. Com isso, os clubes se obrigam a acreditar um pouco mais em seus técnicos e tendem a ser mais criteriosos na hora da troca. E mais, os técnicos de primeira linha costumam estar empregados. A única exceção, que eu me lembre, é Roberto Mancini. 
Donadoni, por sua vez, começa a falar em grupo fechado e trabalho para mudar a sorte do time. Mudam os países e continuam os chavões... O time tem o mesmo goleiro (Iezzo) do ano passado. Continua com três zagueiros (Santacroce ou Contini, Cannavaro e Aronica), o mesmo ala pela direita (Maggio) e os mesmos três jogadores no meio de campo (Gargano, Bogliacino e Hamsik). No ataque, Lavezzi continua sendo o fator de desequilíbrio. O que mudou? Mudou a ala esquerda. Vitale e Mannini foram negociados. O segundo é muito mais jogador que o primeiro e vem fazendo sucesso na surpreendente Sampdoria. Mas não era titular absoluto. Volta e meia aparecia o Vitale no time e o Mannini no banco. Para os lugares desses dois jogadores, vieram Zuñiga e Dátolo. O primeiro é muito pior que o segundo, muito mais defensivo e, pra piorar, não é canhoto. Mas Zuñiga, a exemplo do que acontecia com Vitale, também barra o titular de vez em quando. Dátolo é um dos bons jogadores da nova safra argentina. Não tão nova, mas que só agora começa a ter espaço no envelhecido meio campo da seleção argentina. Dátolo disputa posição com Gutiérrez na seleção argentina, mas não é titular absoluto no Napoli. Mudaram os nomes, mas Donadoni não define a ala esquerda. Mudou também o comando de ataque. O Napoli tinha dois jogadores inconstantes no papel de centroavante: Zalayeta e Gérman Denis. Zalayeta foi negociado, Denis foi para o banco e Fabio Quagliarella foi trazido com o peso de uma das melhores contratações da temporada. Era o Napoli abrindo o caixa para ser candidato a uma das vagas da Liga dos Campeões. Os resultados não vieram e este blogueiro resolveu mirar sua vuvuzela na direção do Donadoni. Pegando carona no que diz o nosso Felipe Santos - bravo integrante da máfia partenopeu - "não dá para jogar com três zagueiros com os zagueiros que o Napoli tem!". Concordo em parte, mas também não gosto do 3-5-2 napolitano. O Cannavaro menos famoso é bom zagueiro, mas nenhum dos três serve para ajudar o meio de campo a sair jogando. Com isso, o jogo é todo em cima do Maggio, que é ótimo, mas fica bem marcado. Como Donadoni não vê que a saída pelo miolo da zaga é fraca e só olha para o lado direito, quem sofre é o Dátolo, que acaba tendo que recuar e deixar que só o Maggio suba. Dátolo é muito mais ponta do que lateral e não guarda posição, subindo junto com o ala direita. Donadoni não gosta e coloca o Zuñiga no time. Zuñiga também não serve para sair jogando e o jogo se concentra ainda mais pela direita. Com o time desequilibrado, o jogo de Hamsik fica previsível e ele sempre procura Lavezzi, também pela direita. Pronto, ficou fácil de marcar o Napoli e os dois zagueiros adversários ficam bem à vontade para marcar Quagliarella. Porque não um 4-2-3-1 daqui pra frente? Efetiva o Contini, que é o zagueiro pela esquerda, na lateral esquerda, formando a zaga com Maggio, Campagnaro e Cannavaro. Na cabeça da área, Gargano e Cigarini, que é mais jogador que o Bogliacino. Com toques rápidos a zaga e estes dois jogadores fazem a bola chegar nos três meias-atacantes: Lavezzi pela direita, Hamsik centralizado e Dátolo pela esquerda. Quagliarella fica como referência, não dentro da zaga, mas abrindo espaços para quem vem de trás. Mal comparando, é como joga a Udinese, com o D`agostino e Inler tocando rapidamente a bola para Pepe, Sánchez e Floro Flores. Um meio de campo de transição, que não trabalha a bola, mas a entrega rapidamente para os jogadores de frente. Em 15 dias o futuro do Napoli será traçado. Mais do que isso e a Máfia pode esperar mais um ano para voltar a figurar entre os maiores da Itália. Atualização em 05/10/09 - Mandaram o Donadoni embora antes do previsto. Vários sites italianos dão como certa a contratação do Walter Mazzari, ex-Sampdoria, apontando, inclusive, que o primeiro treino do novo técnico será nesta quarta-feira. Mazzari também é adepto do 3-5-2, então, esqueçam variações táticas.
Escrito por Felipe Rolim às 22h33
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