Meu Perfil
Boleiro assumido, não sai de casa sem papel, caneta, chuteira e meião. E a paixão pelo calcio é antiga, vem desde a Copa de 1982, quando passou a escalar seus botões com Bruno Conti e Paolo Rossi na linha de frente. Incorporou o espírito dos tifosi, perdeu a paciência com quem domina na canela e agora tem um blog para todo dia abrir uma discussão. Não fique só olhando, aqui todo mundo fala ao mesmo tempo e todo mundo se entende no final. Mais italiano, impossível.

- Perfil do Felipe Rolim




Arquivos

Outros links
 Notícias do Esporte Interativo
 Faça parte do Esquadrão
 Blog do Vitor Sergio
 VídeoBlog do André Henning
 Blog do Rafael Oliveira (Campeonato Inglês)
 Blog do Fabio Medeiros (Blog da Diretoria)
 " target="_blank">twitter






O NAPOLI QUE NÃO EMBALA

 

7 pontos em 7 jogos. Apenas 2 vitórias, ambas em casa e contra adversários de pouco peso: Livorno e Siena.

Donadoni começa a dar sinais de desgaste no comando do time e o Presidente De Laurentis anuncia que nos próximos 15 dias podemos ter mudanças. Sim, 15 dias, pois há uma data FIFA no próximo fim de semana e, diferente daqui, na Itália o campeonato pára. E porque o dono do Napoli dará este 15 dias para que Donadoni treine, ao invés de aproveitá-los para anunciar um novo técnico? Porque lá, diferente daqui, cada técnico só pode treinar um time por temporada na Lega Calcio. Com isso, os clubes se obrigam a acreditar um pouco mais em seus técnicos e tendem a ser mais criteriosos na hora da troca. E mais, os técnicos de primeira linha costumam estar empregados. A única exceção, que eu me lembre, é Roberto Mancini.

 

Donadoni, por sua vez, começa a falar em grupo fechado e trabalho para mudar a sorte do time. Mudam os países e continuam os chavões... 

O time tem o mesmo goleiro (Iezzo) do ano passado. Continua com três zagueiros (Santacroce ou Contini, Cannavaro e Aronica), o mesmo ala pela direita (Maggio) e os mesmos três jogadores no meio de campo (Gargano, Bogliacino e Hamsik). No ataque, Lavezzi continua sendo o fator de desequilíbrio.

O que mudou? Mudou a ala esquerda. Vitale e Mannini foram negociados. O segundo é muito mais jogador que o primeiro e vem fazendo sucesso na surpreendente Sampdoria. Mas não era titular absoluto. Volta e meia aparecia o Vitale no time e o Mannini no banco. Para os lugares desses dois jogadores, vieram Zuñiga e Dátolo. O primeiro é muito pior que o segundo, muito mais defensivo e, pra piorar, não é canhoto. Mas Zuñiga, a exemplo do que acontecia com Vitale, também barra o titular de vez em quando. Dátolo é um dos bons jogadores da nova safra argentina. Não tão nova, mas que só agora começa a ter espaço no envelhecido meio campo da seleção argentina. Dátolo disputa posição com Gutiérrez na seleção argentina, mas não é titular absoluto no Napoli. Mudaram os nomes, mas Donadoni não define a ala esquerda.

Mudou também o comando de ataque. O Napoli tinha dois jogadores inconstantes no papel de centroavante: Zalayeta e Gérman Denis. Zalayeta foi negociado, Denis foi para o banco e Fabio Quagliarella foi trazido com o peso de uma das melhores contratações da temporada. Era o Napoli abrindo o caixa para ser candidato a uma das vagas da Liga dos Campeões.

Os resultados não vieram e este blogueiro resolveu mirar sua vuvuzela na direção do Donadoni. Pegando carona no que diz o nosso Felipe Santos - bravo integrante da máfia partenopeu - "não dá para jogar com três zagueiros com os zagueiros que o Napoli tem!". Concordo em parte, mas também não gosto do 3-5-2 napolitano. O Cannavaro menos famoso é bom zagueiro, mas nenhum dos três serve para ajudar o meio de campo a sair jogando. Com isso, o jogo é todo em cima do Maggio, que é ótimo, mas fica bem marcado. Como Donadoni não vê que a saída pelo miolo da zaga é fraca e só olha para o lado direito, quem sofre é o Dátolo, que acaba tendo que recuar e deixar que só o Maggio suba. Dátolo é muito mais ponta do que lateral e não guarda posição, subindo junto com o ala direita. Donadoni não gosta e coloca o Zuñiga no time. Zuñiga também não serve para sair jogando e o jogo se concentra ainda mais pela direita. Com o time desequilibrado, o jogo de Hamsik fica previsível e ele sempre procura Lavezzi, também pela direita. Pronto, ficou fácil de marcar o Napoli e os dois zagueiros adversários ficam bem à vontade para marcar Quagliarella.

Porque não um 4-2-3-1 daqui pra frente? Efetiva o Contini, que é o zagueiro pela esquerda, na lateral esquerda, formando a zaga com Maggio, Campagnaro e Cannavaro. Na cabeça da área, Gargano e Cigarini, que é mais jogador que o Bogliacino. Com toques rápidos a zaga e estes dois jogadores fazem a bola chegar nos três meias-atacantes: Lavezzi pela direita, Hamsik centralizado e Dátolo pela esquerda. Quagliarella fica como referência, não dentro da zaga, mas abrindo espaços para quem vem de trás. Mal comparando, é como joga a Udinese, com o D`agostino e Inler tocando rapidamente a bola para Pepe, Sánchez e Floro Flores. Um meio de campo de transição, que não trabalha a bola, mas a entrega rapidamente para os jogadores de frente.

Em 15 dias o futuro do Napoli será traçado. Mais do que isso e a Máfia pode esperar mais um ano para voltar a figurar entre os maiores da Itália.

Atualização em 05/10/09 - Mandaram o Donadoni embora antes do previsto. Vários sites italianos dão como certa a contratação do Walter Mazzari, ex-Sampdoria, apontando, inclusive, que o primeiro treino do novo técnico será nesta quarta-feira. Mazzari também é adepto do 3-5-2, então, esqueçam variações táticas.

 



Escrito por Felipe Rolim às 22h33
[] [envie esta mensagem
] []



 
  [ página principal ] [ ver mensagens anteriores ]